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Licao -1

"A única lição que pan pode ensinar a wendy é aprender a voar. A única lição que wendy pode ensinar a pan é aprender a lembrar".


Seres encantados !


19 de ago. de 2010

Magia

Uma das coisas que definem a passagem da nossa infância para a adolescência é a descrença gradual da magia dos contos de fadas que fizeram parte do imaginário infantil.

Diferentemente das  explicações mitológicas, que possuem geralmente um final trágico.As fábulas e os contos de fadas, se constituem numa narrativa fantasiosa para explicar fatos e situações delicadas e complexas do nosso dia a dia.
 
É a crença que no final tudo mais ficará bem.

Uma das coisas boas da infância, é o exercício da imaginação, da espontaneidade e da esperança.

Percebo falta da abundância  de sentimentos na vida adulta.

A sensação que tenho é que a lei da escassez, da economia, tem encontrado terreno fértil entre os homens.Tenho dififuldade de entender a tendência, atual, de poupar sentimentos.

O problema é que a vida cresce inversamente proporcional a essa escala. 

Se por um lado, a racionalização do conhecimento, trouxe mudanças extraordinárias à nossa qualidade de vida. Por outro, a vida moderna nos distanciou de algo sagrado, que diz respeito ao conhecimento primitivo que trazemos em nossas origens.

É dificil perguntar ao fim do dia. O que realmente nos deixa feliz ? .

A lógica no qual adestramos nossas vidas nos convida a  não pensar, não silenciar.
No final,..a gente se assusta conosco mesmo, feito espelho invertido, porque resistimos à escuta.

É  mais conveniente viver o barulho do dia..

É quando a gente se aquieta na  sombra amiga de pessoaas especiais.Que relembramos nossos sonhos e desejos antigos, soando como uma canção doce, conhecida e distante.

Refletia, outro dia, com bons amigos, sobre algumas escolhas que profissionalmente fizemos por força das circunstâncias ou outras razões que atravessaram o  caminho.

O Zé queria trabalhar com terra, gado,..

Eu, queria ser bailarina...

Sérgio, deveria ter continuado na engenharia.   

Onde exatamente ficaram os  nossos sonhos ?!?!

Desconfio que a gente acaba se perdendo, da gente, procurando ser racional, eficiente e produtivo...

Todos os dias, no meu trabalho, atendo pessoas sofridas, cansadas e angustiadas com o mundo, com o trabalho, com a vida, com as pessoas, com a família, com os amigos. Pensando sobre isso, cheguei a conclusão de que a doença desse século é o desencantamento e a desesperança.

O ensaio sobre a cegueira, do Saramago, é uma possibilidade sobre o que poderemos nos tornar...

Esqueçemos do que somos...

Essa constatação é muito maior do que o "pessimismo" intelectual de alguns teóricos, anos atrás, em relação a crise de paradigmas explicativos da realidade social.

Há uma crise endôgena, grave e anterior da qual sentimos e não falamos.

Percebo uma crise silenciosa quando aceitamos, sem reservas, o valor da superficialidade na forma de ser e sentir nas nossas relações interpessoais...

Percebo uma crise velada quando esquecemos da "nossa humanidade" e escolhemos viver  "na medida do possível".

Dessa forma, diante de uma realidade que subjuga nossa criatividade e nos fragmenta como pessoas.Colocar  um pouco de fábula, não seria de todo ruim. A perspectiva de viver algo diferente, e elaborar  algo criativo  nos reconcilia com a magia que perdemos ao longo da nossa estrada de andarilho.

17 de ago. de 2010

Quero Bola !



Sempre gostei de futebol, no entanto, aprendi a conhecer um pouco mais após o nascimento do Biel.

Após o ensaio de alguns esportes diferentes. Finalmente veio o entusiasmo pelo futebol.Passei, então, a acompanhar de perto o calendário do campeonato brasileiro, como mãe e também vascaína.

Por essas razões e outras, semana passada, briguei com a escola, das crianças, por causa de uma bola de futebol.

Ganhei o respeito dos meninos! Que perguntam ansiosos :

- E aí tia, quando é que gente vai poder bater uma bolinha ?.Você já falou com a minha mãe ?.Ela também pensa como você sabia ???

É assim, diariamente, quando me aproximo do pátio da escola.Uma pergunta atrás da outra, sem intervalos para respirar.Como fazemos parte do mesmo time, evidentemente, não escondo o jogo e falo das dificuldades no meio de campo para se fazer o  tão esperado gol...

Convoquei um time de primeira para essa partida.
Utilizei, inicialmente, os canais diplomaticos do diálogo institucional, e por fim, sem resultados concretos, no placar, recorri a ouvidoria.

Também clamei a participação de outros jogadores importantes, os pais, através de contato pessoal e virtual, como  emails, para socializar minha carta de indignação.

Ainda não sei como encontrei tempo e energia para também dividir, essa partida,simultaneamente, com três turnos de trabalho, atividades extra- escolares, e a administração de duas casas, a que moro e uma outra que se aproxima da finalização. Deve ter sido por essa razão que o batimento cardíaco andou descompassado.O pensamento era mais rápido que o fluxo de sangue que irrigava o coração ...

Desconfio, como amadora da psicanálise, que talvez, também, tenha relação com a história da minha infància. Embora gostasse de brincar, algumas coisas aconteceram precocemente. Li o morro dos ventos uivantes aos 9 anos, antes do pequeno principe.

A história que relato não chega a ser uma epopéia clássica de Homero.
Mas, já passou por personagens e episódios pitorescos.
O  navio, palco de lutas e aventuras, de Ulisses, é  a escola.
No lugar de deuses  mitológicos, temos homems mortais.

E foi assim,  quando o céu escurecia, na proa da escola, que descobri, que só era permitido as crianças, jogarem bola, ás quintas feiras, no dia do brinquedo.

A cena foi digna de uma pintura de Salvador Dali, beirava o surreal.
No lugar da bola, meu filho, junto com outras crianças, treinavam futebol com uma pedrinha encontrada no jardim...

Parece absurdo, mas hoje, brigo pelo direito que as crianças tem de brincarem de bola, após o término das aulas, enquanto esperam seus pais.
Crianças têm o direito de correr,..e evidentemente, se machucam.
Tenho cicatrizes da minha infància que me lembram do quanto brinquei e fui feliz..
Não trouxe meus filhos a esse mundo pra viverem numa redoma de vidro.
Quando vejo algo que cerceia a liberdade, com regras absurdas, e sem argumentos lógicos convincentes, penso silenciosamente:

-O  que será  que está acontecendo com as pessoas para aceitarem tão passivamente uma situação como essa ???

Deixei o desabafo, de mãe, cansada dessa rigidez antipedagógica.
Deixei o desabafo, enquanto brasileira que respira a cultura do futebol e que mora em um país que irá cediar dois acontecimentos marcantes, a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016.
Deixei o desabafo, como educadora, porque sei o quanto as atividades esportivas são importantes para a formação, desenvolvimento e a criação de hábitos saudáveis.
Que venham as lamas, o suor, e os machucados saudáveis de um jogo !!!
Vida é movimento !
"Bola na trave não altera o placar
Bola na área sem ninguém pra cabecear
Bola na rede pra fazer o gol
Quem não sonhou em ser um jogador de futebol? "

                                                   (Skank)

16 de ago. de 2010

Filha.

Há algum tempo penso em escrever sobre a minha filha.
Invento algumas desculpas..
A maior delas é a minha timidez, de palavras, em expressar sentimentos infinitos...
Resolvi então, resgatar o amor de mãe, começando pela origem do nome.
Foi o mágico livro do Lewis Carroll, Alice no país das maravilhas, o início da história.
O enredo do livro, que até o momento parece ficção, é a fotografia da menina que ainda resiste em mim.
Funciona como um espécie de espelho.
Alguém que curiosamente anda por entre arbustos a procura do coelho branco.
Que conversa com uma lagartixa fumando cachinbo e se diverte, como ninguém, ao lado de pessoas estranhas tomando chá ..ou qualquer outra coisa..
A diferença entre as duas Alices reside na resposta a uma questão  filosófica que ultrapassa séculos...

-Tu, quem es tu ?.

A Alice, de hoje, traz os traços da curiosidade e imaginação da personagem principal.
Como qualquer menina, adora andar descalças e deixar os cabelos soltos ao vento.
Também muda de planos, como qualquer garota de 8 anos.
Pensou em ser bailarina, professora, caixa de loja e atualmente, como tudo parece festa, nessa idade, diz querer ser promoter. 
A protagonista da minha vida, assim como Alice,  é curiosa e descobre um mundo novo a cada dia.
Por mais fanstástico que tudo isso seja, minha pequena supera a ficcão do país das maravilhas.
Tem algo que salta aos olhos.
É de uma doçura e sentimento desconcertante..
O coração tem raiz de bondade,..os olhos  um convite á espontaneidade..
Tem mãos generosas e uma sensibilidade tão cativante que transborda em lágrimas, silencios e abraços capazes de curar qualquer dor...  
Carinhosa do amanhecer ao por do sol.
É da sua natureza deixar sinais de sentimento: cartinhas de amor na minha bolsa, ligações de saudade sem fim,..recados no celular,...lágrimas no enlaçe do abraço a qualquer hora do dia.
Sua coragem supera o medo e a leadade é comovente...
As vezes, quando me permito adoecer,..ela inverte os papéis,..cuida de mim como filha..
Consegue resolver as coisas com independência, versatilidade,  e ternura de menina, que embora  procurando uma profissão,  sabe o que quer.
É suave  como pétala de flor, 
Ë caixinha de música no meu travesseiro...
Notas musicais  que compõe a melodia  da minha vida.

 

14 de ago. de 2010

Sofás.

Nunca imaginei que comprar um sofá fosse algo tão complexo.
A experiência desafia o pragmatismo lógico do qual estou habituada.
Falo de ver algo, gostar e comprar, sem nenhuma dúvida, com a minha habitual rapidez.
Quem convive comigo sabe do quanto sou racional para coisas dessa natureza.
Indecisão nunca foi uma característica, das mais fortes, da minha personalidade.
Ao todo, fazem exatamente 30 dias que busco encontrar algo que se pareça comigo, com meus filhos, com minha família.
Algo simples e aconchegante que se adeque ao espaço da nossa sala e home

Chega a ser cômico, sentar e recostar a cabeça em tantos sofás..
Ë um treinamento antecipado da intimidade...
Deslizar as mãos por sobre a textura e familiarizar-se com a pergunta mecânica de sempre.

-Qual é a metragem ?

Soa quase como um superficial..-Como vai você ?
Daqueles onde você percebe que  o interlocutor não está, de fato, muito interessado numa resposta sincera.
O diálogo, de fato, começa quando respondo pela tangencial e reivindico, cansada, minha honestidade  e o meu desejo...
Crio uma expectativas dos dois lados...

-Procuro um sofá que goste, o tamanho é apenas um detalhe...




Daí em diante, persisto fugindo da lógica de perguntas convencionais.
Gosto do incomum...
Mudo a estrutura padronizada, resisto as novas tendências...
Não me rendo, tão facilmente, ä massificação e ao entusiamos de alguns modismos.
Desconstruo as formas, as cores, o braço, a profundidade..
E constato, feliz,.. uma premissa do qual desconfiava..
Um objeto, nunca será  simplesmente uma coisa...a parte
Assim como na minha vida pessoal, ...
O que  seduz precisa ser reconstruído, é artesanal...
A sala é a composiçao de uma parte.
O sofá, um convite silencioso para todos os dias e momentos...
É um espaço democrático de reencontro...

10 de ago. de 2010

A dança

A dança ocupa um lugar à parte na minha vida.
Durante alguns anos ela permaneceu adormecida.
Como é algo que faz parte, e pulsa junto.
O retorno seria algo inevitável...
Nietzsch discutiu a idéia do eterno retorno dentro de uma perspectiva problemática e complexa.
Colocando-nos numa cadeia cíclica de acontecimentos que se repetiriam por toda a eternidade.
Conferindo portanto,..o peso.

Cada movimento é a expressão de um sentimento.
E não importa o lugar, é sempre uma experiência de docilidade com o corpo..
É o exercício da disciplina misturada com o prazer e  dor, na busca, pela perfeição.
Uma coreografia, nunca terá a mesma repetição.
A apresentação já é o próprio ensaio da vida..
É aí, onde reside a beleza.
É a  perspectiva da leveza que sublima...
É a possibilidade do não retorno, ao princípio, que a faz única e ao mesmo tempo dramática.

O ouvido é a forma embrionária de extensão da música.
As demais partes,.. se complementam, ...
Descobrir o movimento, da melodia, em cada batida, é ouvir também com as mãos, com os braços,..com os olhos, com o sorriso,..quadril, abdomêm..
É todo alma, simultaneamente, entrecortada...e junta.
É preciso exercitar o coração com a beleza da melodia.
Por essa razão, dançar é sempre um momento de revelação.
É uma outra forma de linguagem,...que toca, aproxima,..
É interação e partilha de emoções diversas, e as vezes, ...desconhecidas...
Pressinto e vejo talento, quando percebo a recriação da técnica emoldurada com a personalidade.
É espirito e técnica em movimento contínuo.
Gestos de palavras,...codificadas..
Uma das formas de se chegar ao êxtase...







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